quinta-feira, 3 de maio de 2018

JEREMIAS MACÁRIO - COLUNISTA VIP:


PEITO E BUNDA EM TERRA ARRASADA
JEREMIAS MACÁRIO 
Eu tenho um carnaval só meu, porra!... - berra Ivete Sangalo do alto do seu trio elétrico no Farol da Barra no circuito Barra-Ondina onde moradores reclamaram do barulho e do pisoteamento de áreas verdes. “Me ofereceram apresentar na festa de março da cidade, mas estava amamentando”. Quer dizer que não está mais?
  A mídia lá está também abrindo seus espaços e asas para paparicar sua deusa. A galera entra em delírio no país de milhões de miseráveis onde o povo paga toda a conta da farra do circo sem pão. Todos são unânimes e cada um dá a sua incensada.  
  Como assinalou um leitor de um veículo de comunicação da capital, com todo seu tom de ironia, o peito virou bunda, e a bunda virou peito. É o desbunde total, seu moço! É só cair dentro da esbórnia! A cantora tudo faz para alimentar sua desvairada vaidade devoradora de almas. A imprensa vibra como uma hidra de sete cabeças, e a nossa cultura murcha e definha.
  Vale tudo na disputa acirrada entre as estrelas do axé, do arrocha e do pagode. Levantem as mãos e tirem os pés do chão, bando de bestas idiotas! A massa ignara vai atrás entre lágrimas e momentos de êxtase, excitação, orgasmo e histeria. É um caso para psicanalistas ou sociólogos experientes. Todos estão anestesiados pela onda da alienação e do comodismo, como objetos de consumo.
  Estamos em mais um pleno feriadão no país da terra queimada e arrasada, sem moral, sem ética, enlameada pela corrupção e com mais de 13 milhões de desempregados. O feriadão, como disse um articulista, é o novo “modus vivendi” brasileiro. Nos país dos feriados, a ordem é “enforcar” quando o dito cujo cai mole numa terça ou numa quinta-feira.
  Todos apoiam e só querem sombra e água fresca. A galera aplaude e repete o clichê de que o esquema faz parte da cultura do país esfomeado de baixa produtividade e de índice de desenvolvimento humano vergonhoso. Na educação, somos campeões de notas baixas, principalmente na língua portuguesa e na matemática.
  Para enganar a si mesmo de que o Brasil é um país do futuro, entra em cena, na véspera do feriadão, o mordomo de Drácula, que se comparou a Tiradentes, para falar de uma reforma trabalhista da qual sua turma sugou as últimas gotas de sangue dos trabalhadores. Foi a senha para o retorno da escravidão.
  Na terra arrasada das tragédias anunciadas dos desabamentos de prédios, incêndios, quedas de pontes, ciclovias e encostas, onde vara o ódio e a intolerância de ideias, raça e gêneros, não vi e nem escutei nenhum bate caçarola, garfo e panela quando Dilma e Lula falavam na televisão. Será que na hora as panelas estavam cheias, ou foram vendidas para comprar comida?
  O cara de pau foi para a televisão curtir com a nossa cara de abestalhado, se achando o máximo da história, e tascou um aumento de mais de 5% para o Bolsa Família de mais de 13 milhões de lares dependentes das esmolas. Todo convicto de si, dos seus fazeres e desmentidos das acusações que lhe pesam, lá foi ele ver a desgraça do incêndio e desabamento do prédio abandonado, mas foi hostilizado.
  No território de ninguém, dos desmandos e da bagunça, as catástrofes se sucedem, como a do prédio de moradores sem teto, e os irresponsáveis não são punidos. Outras virão, enquanto os escândalos de roubos e corrupções pipocam todos os dias nos noticiários.
  Lá em Curitiba, os vermelhos que negaram a ética e a moral de um Brasil limpo sem sujeiras, montam acampamentos para defender seu ídolo. Gritam palavras de ordem, xingam e ameaçam. Ministros da Segunda Turma do TSF fazem suas manobras para acabar com as punições da Operação Lava Jato.
  Promotores e federais contestam, e os bandidos cospem fogo pelas ventas. O general envia seus tanques. Os políticos estão enfurecidos e eufóricos, e tudo fazem para se manterem no poder. Surgem os lobos salvadores da pátria que se vestem de mocinhos na pele de cordeiros, enquanto você toma sua cerveja acreditando que as eleições vão mesmo mudar tudo.
   Que importam as desigualdades e a injustiça social que ferem de morte milhões de excluídas, se ainda estou empregado, com um carrinho na porta e com alguns trocados no bolso para curtir o próximo feriadão atrás do trio exclusivo de Ivete. vendo peitos, coxas e bundas! 

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