quarta-feira, 31 de maio de 2017

COLUMISTA VIP:



INFERNO – DAN BROWN

AUTOR DE O CÓDIGO DA VINCI

Jeremias Macário  
 Coloque um casal de coelhos em alguma ilha deserta e não interfira em sua procriação. Em alguns anos eles irão destruir o ecossistema e, então, não sobreviverão por muito tempo. Assim pode acontecer com a superpopulação humana que pode entrar num colapso global e se autodestruir se não houver um controle.
O matemático inglês Thomas Robert Malthus, no século XIX, fez vários alertas sobre a questão demográfica. Em seu livro “Ensaio sobre o Princípio da População”, Malthus alertou que “O poder da população é tão superior à capacidade da Terra de produzir meios de subsistência para o homem que a morte prematura chegará, de uma forma ou de outra, à raça humana”.
  Depois da Peste Negra no século XIV que dizimou um terço da população da Europa, veio a Renascença. “Para alcançar o Paraíso, o homem deve atravessar o Inferno”. Depois das duas grandes guerras, a humanidade viveu um período de renovação e prosperidade, assim aconteceu depois de outras catástrofes. A superpopulação, hoje de mais de sete bilhões de habitantes, é um perigo que precisa ser contido através de métodos anticoncepcionais.
  Essas questões de superpopulação, que podem levar a humanidade ao um fim trágico, estão no livro “Inferno”, de Dan Brown, autor de O Código da Vinci, que recorreu à obra “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, para retratar os pecados dos homens na terra e o inferno a que estamos sujeitos, de acordo com as maldades de cada um. Bem que os políticos deveriam reservar um tempo entre suas práticas de propinas para ler “Inferno”.
  No prólogo do livro, Dan faz uma analogia da sombra que vive perseguida e foi forçada a viver no purgatório, agindo debaixo da terra qual um monstro ctônico. Já no epílogo diz que o poema de Dante Alighieri falava menos sobre as agonias do inferno e mais sobre a capacidade do espírito humano de suporta qualquer provação.
  Destaca o autor que os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral. “Em situações de perigo, não existe pecado maior do que a omissão”. No inferno atual do caos político e ético brasileiro, muitos, simplesmente, preferem o silêncio, deixando os maus prosperarem com suas artimanhas e armações satânicas.
  Em “Inferno”, onde é posta a linha de pensamento do personagem cientista Zobrist, quando defende que os médicos deveriam deixar de atuar porque aumentar a expectativa de vida humana só estava piorando o problema da superpopulação e, então, cria um vírus que torna grande parte da humanidade estéril, limitando o contingente populacional, Dan Brown faz uma descrição fiel da cidade italiana de Florença. Lembra  os tempos da Renascença de Michelangelo, na obra de Davi, O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli e Anunciação, de Leonardo da Vinci.
  Num diálogo ríspido com a diretora da Organização Mundial da Saúde – OMS, o cientista entende que a superpopulação é uma questão de saúde pública. Para ele, “quando submetidos ao estresse da superpopulação, aqueles que nunca cogitaram roubar se tornarão ladrões para alimentar suas famílias”.
  No capítulo 14, o autor, através do seu personagem Longdon, começa a discorrer sobre a obra de Botticelli em “La Mappa dell´Inferno” onde o artista, inspirado em Dante, usa uma deprimente paleta de tons de vermelho, sépia e marrom.
  De acordo com o escritor, composto por Dante no início do século XIV, o inferno redefiniu a percepção medieval da danação. “Antes dele, a ideia do mundo inferior nunca havia fascinado as massas de forma tão arrebatadora”. A obra transmitiu uma visão aterrorizante e visceral do inferno.
  O escritor Dan Brown faz um relato sobre os nove círculos do inferno, ou valas malditas destinadas a cada tipo de fraude. Na visão dantesca inspirada por Botticelli, uma das valas estava reservada ao político corrupto submerso em um lago de piche fervente. Numa de suas representações, está lá um ladrão condenado a ser picado por cobras por toda eternidade. No último círculo do inferno mora o próprio Satanás.
   No seu relato horrendo de “Inferno”, a partir do seu personagem principal, o professor Longdon, o autor descreve as nove valas nas quais devem passar os fraudulentos culpados de más ações deliberadas, os sedutores açoitados por demônios, os aduladores à deriva num mar de excrementos, os clérigos oportunistas enterrados de cabeça para baixo, os políticos atolados de piche fervente, os conselheiros traidores consumidos pelo fogo e os semeadores de discórdia destroçados por demônios.
  Depois de narrar os horrores do inferno, com base nas obras de Dante e de Botticelli, o livro de Dan Brown passa a ser uma corrida incessante por Florença, Veneza e Turquia para se descobrir as simbologias de um misterioso vídeo deixado pelo cientista Zobrist que defende o extermínio de parte da população, ou a interrupção do crescimento dela, para que a outra parte possa sobreviver no espaço terrestre em condições favoráveis de vida.
 Veja o que diz trechos do vídeo na voz da sombra: O inferno de Dante não é ficção...é uma profecia! A humanidade quando não controlada, funciona como uma praga, um câncer... Os vícios da humanidade agem de forma ativa e eficaz no controle da população.

Nenhum comentário:

Postar um comentário