sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

NANDO DA COSTA LIMA - COLUNISTA VIP:

Cansadérrima...
Nando da Costa Lima
Neusinha sempre se destacou,desde menina sonhava com o estrelato, queria ser atriz. Como não deu certo, por causa de sua voz estridente, foi o jeito se casar com o prefeito e se tornar primeira-dama. Tá certo que o casamento foi arranjado. Casou com aquele caco-velho por uma questão de interesse, mas valeu a pena. Com o tempo ela descobriu que nasceu para ser mulher de político, adorava um conchavo, e não pode se negar que as quatro últimas campa­nhas só foram ganhas graças a sua participação. Fazia de tudo pra conseguir votos pro maridão, no Natal distribuía remédio com a data vencida. No S. João fazia o mesmo, só que em vez de remédio dava comida estragada, era o exemplo de caridade da cidade. Neusinha já tava beirando os cinquenta anos, e se quando nova já não era lá essas coisas, agora ti­nha virado um bucho. O que tinha de feia tinha de convencimento. Era um castigo para os políticos que tinham que entrar em contato com o prefeito, sem sua permissão nada se resolvia naquela pro­gressista cidade da caatinga baiana. Ela fazia de tudo pra que aquele fim de mundo tomasse jeito de cidade, queria modernizar o lugar de qualquer maneira e isto às vezes levava o marido ao ridí­culo. Como da vez que contratou Luiz Caldas para um show e fez questão que o prefeito aparecesse trajado no mesmo estilo do ar­tista, até brinco ela pendurou no "velho". Aquilo quase o fez ser expulso do partido, só não foi porque se defendeu lembrando que tem um político baiano que se fantasiou de baiana na França e continuou dando as cartas. Mas este fato não deixou de tirar um pou­co de sua popularidade. O mesmo aconteceu com aquele inconveniente de escolher seu sogro como O Homem do Ano sendo que o velho tinha morrido há 17 anos. Neusinha quis consertar dizendo que o velho tinha mandado uma mensagem por um médium pra construir o Ginásio de Esportes, que foi a obra do ano, mas não te­ve jeito: Os homens de bem da cidade ficaram retados. Como todo novo rico, todos queriam ser o Homem do Ano no lugar do defun­to. Foi o jeito deixar o sogro como o 1º Homem do Ano, e eleger um 2º Homem do Ano
Tirando os imprevistos acima citados, tudo corria bem na pre­feitura. Era um coquetel pra um deputado aqui, uma homenagem a um parente ali. Aquela mesmice comum a toda cidade com menos de cinquenta mil habitantes. Mesmo assim Neusinha fazia questão de se mostrar a mais ocupada das mulheres, só a viam nas "carreiras". Parecia mais ocupada que primeira dama de presidente (o que não é o nosso caso). Numa bela tarde ela, pra variar, mar­cou uma reunião com as mulheres dos ricos da cidade com a finali­dade de resolver alguns problemas comunitários relacionados à pobreza. A reunião correu bem, muita comida, bastante bebida. Quanto aos pobresl Estes ficaram pra próxima reunião. Estavam to­das na porta da rua se despedindo quando a primeira-dama pra dar um ar de difícil chamou a secretária e deu uma ordem aos berros chamando a atenção das amigas e de quem tava por perto - "Agora eu vou descançar, não me acorde pra ninguém, estou cansadérrima. Entendeu Zefa???" As amigas foram embora e Neusinha desmaiou na cama.Nesse intervalo, o Governador que sobrevoava a cidade devido a um pequeno problema no avião teve que descer naquele fim de mundo. Pra não ser grosseiro com o colega do mesmo parti­do, resolveu visitá-lo em companhia da esposa enquanto o avião era reparado. Quando chegou na casa do prefeito deu de cara com a secretária, esta informou que o patrão estava viajando. O gover­nador pediu que ela chamasse a Primeira-dama. Aí Zefa foi taxativa - "Dona Neusinha antes de se deitar disse que não queria ser inco­modada por ninguém". O Governador e a esposa foram embora sem conseguir uma audiência com a princesa do agreste.
Quando Neusinha acordou e perguntou se tinha aparecido al­guém enquanto ela dormia e Zefa respondeu que só o governador e a mulher dele tinham passado. Ela caiu durinha, só recuperou depois de dois dias. Mesmo assim, até hoje, toda vez que um. avião sobrevoa a cidade ela corre pra casa e póe um vestido de ga­la. Uns dizem que ela endoidou, mas nada. Ela às vezes até se gaba dizendo que um dia teve que falar que estava dormindo só pra não receber a chata da mulher do Governador.

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