sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

JEREMIAS MACÁRIO - COLUNISTA VIP:

A PONTE EM RUÍNAS, A INDÚSTRIA DAS

MULTAS E AS MUDANÇAS DO LUCRO
JEREMIAS MACÁRIO
Fecharam nossas ferrovias, acabaram com as belas estações e deixaram pontilhões e pontes históricas em ruínas, para implantar rodovias infernais mal construídas e superfaturadas, criar a indústria das multas e ainda inventar mudanças descabidas para lucrar e extorquir os cidadãos que neste país só têm deveres, e onde “desacatar” um funcionário público é crime, mas não quando acontece o contrário de ser destratado.
  Fiz uma recente viagem a Juazeiro, no norte da Bahia e, como sempre, corto pela Chapada Diamantina para curtir as paisagens da natureza (muita parte destruída pela ganância do homem). O que seria um prazer tornou-se irritação com o perigo das estradas mal conservadas, estreitas e árvores por cair nas pistas, como de Andaraí até a ligação com a BR-242.
A partir de Suçuarana até Ituaçu o que ainda restava do asfalto virou só buracos. Devido a buraqueira, logo apareceu uma forte pancada na lateral direita do carro com a quebra de um pivô, uma peça da suspensão, uma bucha da bandeja e a perda de uma calota.Consegui dirigir até Juazeiro e lá tive que gastar quase 500 reais de serviços na oficina. Quem pagou o prejuízo? Por certo que não foi o Estado que cobra IPVA, pedágios e monta a indústria das multas através de radares escondidos.
PONTE DE IAÇU EM RUÍNAS
  No retorno entrei em Senhor do Bonfim e peguei a estrada para Jacobina-Piritiba via Antônio Gonçalves, Pindobaçu, Saúde e Caem, com mais buracos e sofrimento. Todo cuidado era pouco. De Piritiba resolvi seguir por Mundo Novo, Baixa Grande, Rui Barbosa, Itaberaba, Iaçu, saindo em Milagres pela BR-116 até Vitória da Conquista.
  Mais decepção com meu estado da Bahia e com o nosso país. Desta vez, foi ver um patrimônio histórico de mais de 100 anos em ruínas. Trata-se da ponte férrea de Iaçu que por ali passaram tantos trens de passageiros vindos de Minas Gerais e atravessando todo sertão baiano até Senhor do Bonfim para fazer conexão com Salvador.
  Claro que parei para tirar umas fotos da destruição e lembrei quando menino que tantas vezes viajei naquele trem chamado de “Groteiro”, saindo dali, vindo do Seminário de Amargosa, com destino a Rui Barbosa, Jequitibá ou para minha querida Piritiba, Quanta tristeza e dor ver aquela bela arquitetura caindo aos pedações, enferrujada e dentro do mato!
 Recordo ainda que há poucos anos a comunidade da cidade, gente da região, defensores da preservação da nossa memória fizeram movimentos para recuperar a obra, mas não deram a mínima.O negócio deles, governantes, é montar a indústria das multas e introduzir mudanças para beneficiar fábricas particulares de placas, extintores e outros bagulhos.
A INDÚSTRIA DAS MULTAS E AS EXTORSÕES
 Na Europa e outros países civilizados existem autoestradas, sempre em bom estado de conservação e sem controle de velocidade. Por aqui ocorre o contrário, e o Conselho de Trânsito ou os Detrans impõem 80 e 100 quilômetros em rodovias estaduais e federais. Imagine todos rodando neste ritmo numa longa viagem! Para os agentes, 120 quilômetros é alta velocidade, e ai tome multa através dos radares surpresas. Para ser coerente, no Brasil as montadoras deveriam colocar a potência do veículo só até 100 quilômetros.
  Não precisa descer o pé no acelerador para 150 ou 200 quilômetros, mesmo porque as pistas são imperfeitas, estreitas, esburacadas e com defeitos de engenharia. Acho contraditório o limite de 80 e 100 quilômetros. A maior parte dos acidentes não é por velocidade, mas por imprudência nas ultrapassagens, imperícias e embriaguez. Não há como ultrapassar uma carreta com 80. Os governos não fazem suas partes e aí colocam toda culpa nos motoristas, usando a indústria das multas.
  Na verdade, neste país os cidadãos e os contribuintes só têm deveres e nada de direitos. Pagam altos tributos por duas vezes, como é o caso do IPVA e os pedágios. Por que o governo e os políticos não cobram os serviços de melhoramento da Via Bahia na BR-116, conforme determina o contrato? Está BR, de Feira de Santana para a divisa com Minas Gerais, por exemplo, ainda não foi duplicada e o asfalto já está descascando e cheio de problemas, como constatei. Para embromar, colocam uns operários para limpar o mato nas margens das rodovias.
 Então pergunto: Qual moral tem o governo de montar esta indústria de multas através dos “caças-multas”? Outro problema são os quebra-molas, não mais recomendáveis, que estão por toda parte nas pistas, nas cidades e nos povoados. Em muitas vias, principalmente as estaduais, não existem sinalizações, tanto horizontal como vertical. Sem aviso, quebra-molas surgem aos montes pegando os motoristas de surpresa. São arrebentam veículos.
  Como os kits socorros, extintores e outras exigências descabíveis, agora inventaram essa besteira da placa do Mercosul, um acordo entre países do sul que virou um fracasso no comércio e nos relacionamentos entre os governos de ideologias diferentes. Essa mudança é mais uma extorsão ao contribuinte para alimentar as indústrias de emplacamentos. Para fazer o serviço, o cidadão é explorado, humilhado e roubado, financeiramente e em seus direitos.

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