quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

JEREMIAS MACÁRIO - COLUNISTA VIP:

OS GRANDES IMPERADORES, A DEPRAVAÇÃO

 E A DECADÊNCIA DO IMPÉRIO ROMANO (I)
Jeremias Macário
Reza a lenda que quando os gregos Menelau, Ulisses e Aquiles conquistaram Tróia, na Ásia Menor, um dos poucos defensores a se salvar foi Enéias, cuja mãe era a deusa Venus-Afrodite. Ele andou perambulando com sua mala ao lombo até alcançar o Lácio, no norte da Itália. Casou-se com Lavínia, filha do rei Latino, onde fundou uma cidade com o mesmo nome da mulher.
  Seu filho Ascânio fundou Alba Longa, a nova capital. Depois de 200 anos, Numitor e Amúlio, descendentes de Enéias, ainda ocupavam o trono do Lácio. Um dia Amúlio expulsou seu irmão e matou todos seus filhos, menos Réia Sílvia, mas obrigou-a a se tornar sacerdotisa da deusa Vesta para não ter filho.
 Num dia bem quente resolveu tomar um ar fresco e adormeceu. Numa das suas descidas à terra, Marte a viu, apaixonou-se por ela e a engravidou. Amúlio ficou muito zangado, mas esperou que ela desse à luz e nasceram dois meninos gêmeos. Depois fez Sílvia colocá-los num barco e deixou-os à deriva na correnteza do mar. A embarcação encalhou nas areais e uma loba os acolheu dando do seu leite.
 Esse animal tornou-se depois símbolo de Roma, mas muitos dizem que se tratava de uma mulher com o nome de Acca Larentia, chamada Loba pelo seu caráter selvático e infiel ao seu marido pastor. Os dois receberam os nomes de Rômulo e Remo. Depois de crescidos, voltaram a Alba Longa, mataram Amúlio e recolocaram Numitor no trono.
 Depois de tudo resolveram construir um novo reino em meio às colinas onde corre o Tibre. Ali começaram a discutir sobre o nome a ser dado à cidade. No impasse, decidiram que venceria quem visse mais pássaros. Remo viu seis sobre o Aventino e Rômulo 12 sobre o Palatino. Foi colocado o nome de Roma e, em torno dela,edificaram muralhas. Remo achou frágeis e com um chute colocou um pedaço abaixo. Em represália à sua conduta, Rômulo abateu o irmão com um golpe de enxada.
  Tudo isso, segundo o historiador Indro Montanelli, em “História de Roma”, aconteceu por volta de 753 a.C.(21 de abril). As terras trabalhadas por Remo e Rômulo se tornaram o centro do Lácio e depois da Itália, a ab urbe condita. A Urbe se tornou caput mundi, descendentes de Enéias e dos deuses Venus, Marte e Júpiter. Fábula ou não, trinta mil anos antes da fundação aquela terra já era habitada pelo homem, do tempo da Idade da Pedra.
  Estudiosos falam da época de 2000 a.C. quando dos Alpes chegaram outras tribos vindos da Europa Central que construíram suas habitações em palafitas. Introduziram novidades, como trabalhar matérias brutas, de cultivar o solo, de tecer panos e de cercar suas aldeias com bastiões de barro e de terra batida. Pouco a pouco desceram ao sul e fundaram Vilanova, se tornando num centro de uma “nova civilização”. Dela se originaram os úmbrios, os sabinos e os latinos.
  Não se sabe o que os vilanovianos fizeram com os indígenas, chamados “bárbaros” Podem ter se misturado e fundaram muitas aldeias entre o Tibre e a baia de Nápoles, por volta de 1000 a.C. Entre essas cidades estava Alba Longa, capital do Lácio (Castel Gondolfo). Dali, um punhado de jovens aventureiros migraram rumo ao norte e fundaram Roma.
  Não se sabe bem o motivo do deslocamento deles. Talvez foram espionar o local que fazia fronteira com a Toscana onde havia desembarcado uma nova população conhecida como etruscos, muito mal falados. Entre esses pioneiros, podiam estar Rômulo e Remo. O lugar ficava a uns 20 quilômetros do mar. Os charcos e os pântanos condenavam à malária, mas haviam as colinas que os protegiam dos mosquitos, como o Palatino.
  Para povoar o local precisavam fazer filhos, mas faltavam mulheres. Voltando à lenda, o chefão conseguiu mulheres para si e seus companheiros. Anunciaram uma grande festa e convidaram os sabinos, seu rei Tito Tácio e suas filhas. Durante a festa e a disputa de corridas, os donos da festa raptar as moças, como no caso de Helena que terminou na destruição de Tróia.
 No outro dia, seus pais e irmãos voltaram para libertar as mulheres. Entrincheiraram no Capitólio e cometeram o erro de entregar a chave da fortaleza para Tarpéia, uma romana apaixonada por Tito. Ela abriu as portas aos invasores. Estes, não gostando de traição, a esmagaram. Depois tudo acabou num banquete, e as mulheres se colocaram entre os dois exércitos. Rômulo e Tácio decidiram governar juntos, como reis das duas tribos (romanos Quirites). Tácio morreu.
Tudo pode ter sido uma cerimônia nupcial combinada, ou, em outra versão, coisa de patriotismo para dizer que os sabinos conquistaram Roma. De qualquer forma, existia a ameaça de um inimigo comum que eram os etruscos que, a partir de Tirreno, se espalhavam pela Toscana e pela Úmbria. Roma e a Sabina estavam na rota deles. A Urbe teve que encarar esses difíceis rivais durante toda sua história, por meio das guerras e da diplomacia.

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