quinta-feira, 30 de agosto de 2018

JEREMIAS MACÁRIO - COLUNISTA VIP:



QUE SÃO OS MAIS REFUGIADOS?
Jeremias Macário
É muito triste ver multidões desesperadas se deslocando do seu país para procurar refúgio em outro, mas o Brasil arrasado, onde tudo falta, e mais de 50 milhões vivem abaixo da linha de pobreza, não é o indicado para abrigá-los. Aqui, o cobertor já está curto demais, e a casa está desarrumada. Não está dando nem para cuidar dos seus.Sem mais espaço para se virar, o brasileiro já é um refugiado dentro do seu próprio território.
Na certa, é mais desagregação e sofrimento juntos, com mais miséria e violência.Vejo os venezuelanos ansiosos por um trabalho, não mais que os próprios brasileiros em seu país. A quem atender primeiro? A nós já são negados o direito à educação de qualidade, à saúde, à alimentação digna, ao emprego, à justiça e outros itens básicos. São refugiados tentando acudir outros refugiados. E onde fica a coerência?
 Os nossos vizinhos venezuelanos estão aflitos e se arrastam cansados em procissão pelas estradas e caminhos íngremes, pedindo passagem nas fronteiras pobres de vários países da América do Sul. Acredito que eles não têm muita ideia sobre a real situação do Brasil, mas o clamar fala mais alto quando não se tem outras opções. Se você não tem o que oferecer, não é egoísmo.
Onde estão os ricos capitalistas predadores da América do Norte e até da Europa que por anos e séculos exploraram a mão-de-obra e as riquezas dessa gente, deixando a terra em bagaços? Fizeram o mesmo na África, no Oriente e na Ásia. Hoje estão soltando foguetes ao espaço, vendendo armas para incendiar a terra e banqueteando em seus palácios.
  A elite burguesa ocidental é a maior culpada por tudo o que está acontecendo. Os imperialistas capitalistas, a começar pelos Estados Unidos, nunca admitiram o socialismo de repartição em seu quintal. Destroçaram governos legitimamente constituídos e minaram com suas forças qualquer soberania e tentativas de melhorias dos mais pobres no continente sul americano. A história não nega os fatos. Depois é só deixar que os mortos enterrem seus mortos.
  Não é somente o Brasil que está arcando com essa leva de venezuelanos famélicos, mas também o Chile, que recebeu de janeiro a julho deste ano 147 mil, quase 177 mil que entraram lá em 2017. O Peru e a Colômbia, também fazem o possível para socorrer os refugiados. É assim, eles (os ricos capitalistas) sempre interviram na política que esteve fora de seus consensos, e depois deixam que uma pobreza vá aniquilando a outra.
  Tanto nos estados de Roraima (Boa Vista e Pacaraima) como no Acre, o quadro de horror não difere muito entre venezuelanos e brasileiros. O governo federal mente quando diz que está ajudando nas áreas de saúde e recursos financeiros, depositando todo peso para os governadores que pedem fechamento das fronteiras.
Todos sabem e até concordamos que se trata de uma questão humanitária, mas como ajudar se quem está aqui também necessita de ajuda? Como um país de mais de 20 milhões de desempregados, incluindo desalentados e subempregos (bicos), pode dar trabalho para quem chega? A maioria vai viver perambulando por ai, engrossando a miséria e a violência.
  Em todo lugar do país, o estado de penúria de seus habitantes não é melhor do que no Acre e em Roraima. O governo da União é falso e hipócrita. Vira a cara para o problema, colocando o fardo para ONGs e instituições de caridade que, na falta de estrutura, simplesmente dão algum alento e colocam um mastruz na ferida para aliviar a dor.
 Vivemos há séculos no país dos absurdos e contradições consentidos, principalmente depois da patrulha do politicamente correto onde qualquer fala pode ser vista como racismo, xenofobia, homofobia, machismo e preconceito. É aquela história do fique calado porque qualquer coisa que você falar poderá ser usado contra sua pessoa no tribunal. É o medo do linchamento coletivo irracional.
  Não consigo entender como o Brasil, diante de tanta carência material, com milhões passando fome, violência por todos os lados, endividamento, saúde de morte nos corredores dos hospitais, milhões de desempregados e tantas outras mazelas, se compromete a receber refugiados, sem, ao menos recorrer às nações ricas? Pobreza mais pobreza extrema é igual a miséria.
 Como nunca deveria ter sediado uma Copa do Mundo e as Olimpíadas, o Brasil também não tem condições de receber refugiados. Aqui, estamos mais preocupados em salvar as baleias, as tartarugas e os cachorros (não que não mereçam) do que o ser humano. Aqui, só por ano morrem mais de 100 mil pessoas vítimas de acidentes de trânsito e homicídios.
 Não é o caso de ser xenófobo, mas de lógica. Não é o mesmo que tirar da boca de um para dar para o outro, ou cobrir um e deixar o outro descoberto? O cenário é cruel para ambos , mas o pior é fazer de conta que está tudo bem, que o país vai receber a todos de braços abertos e depois seja o que Deus dará, jogados pelas ruas e casebres, em abandono, como os que já vivem aqui.

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