No Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, a OAB Subseção de Vitória
da Conquista, por meio da Comissão do Direito da Mulher e da Mulher
Advogada, realizará uma Mesa Redonda com o tema: “Do Silenciamento às
Garantias das Mulheres: das velhas às novas violências”. O evento
acontecerá às 19 horas, no Auditório da sede da Subseção, localizado na
Rua Rotary Club, 103 – Centro.
O evento faz parte de uma série de atividades que ocorrerão no mês de
março, na subseção de Vitória da Conquista, para marcar a necessidade
da construção de igualdade entre mulheres e homens já garantida por lei
mas ainda não conquistada na prática. O 8 de março é dia de comemorar
as conquistas em prol da isonomia e também para lutarmos pelo o fim das
desigualdades e violências.
Participarão do evento a advogada especialista em Direito Civil e
Processo Civil, autora e coordenadora do Projeto Célula Mater da Uesb,
Dra. Arlene Ribeiro, falando a respeito da luta das mulheres ao longo
dos anos; a presidente da Comissão da Mulher e da Mulher Advogada,
especialista em Direito Constitucional e Direito do Consumidor, Dra.
Sâmala Santos, que falará das mulheres negras no enfrentamento ao
Racismo Institucional e Estrutural; e o Delegado de Polícia Judiciária
Estadual, lotado na DEAM/VC, membro da Clínica de Direitos Humanos da
Uesb e especialista em Direito Constitucional, Dr. Luiz Henrique Machado
de Paula, que falará sobre machismo, violência doméstica e feminicídio.
Devido a pandemia de Covid-19, as vagas serão limitadas. As inscrições podem ser feitas clicando aqui. Para recebimento do certificado de participação será necessário inscrição prévia.
Para o acesso ao auditório será exigido a apresentação do comprovante de vacinação contra a Covid-19 e o uso de máscara.
O cantor/compositor Elomar Figueira Mello, internado no Hospital
Samur, em Vitória da Conquista - Bahia, onde deu entrada na noite do
dia 21 de fevereiro de 2022, diagnosticado com Covid-19, segundo boletim
médico, apresenta
quadro clínico estável, sem febre, sem complicações cardíacas ou renais.
No entanto, apresentou necessidade de retornar à ventilação mecânica,
sendo necessária intubação. O procedimento foi feito
sem intercorrências.
A equipe da UTI prossegue com os protocolo e observação e análise, sobre como o paciente responde aos procedimentos.
Reiteramos que, a assessoria de Elomar Figueira Mello, por
consentimento da sua família e da equipe médica, publica as informações
oficiais com notas produzidas a partir de parecer gerado pelo hospital,
assinadas pela assessoria e pelos profissionais responsáveis.
Elomar Figueira Mello não tem previsão de alta e está na
Unidade de Terapia Intensiva, sob os cuidados das equipes médicas da UTI
Respiratória do Hospital Samur.
10 horas do dia 5 de março de 2022. - Vitória da Conquista, Bahia.
Calendário gregoriano: como papa Gregório 13 mudou contagem dos dias há 440 anos
Edison Veiga - De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
O papa Gregório 13 introduziu o calendário gregoriano, que usamos até hoje, no século 16
Há
440 anos, o papa mostrou que tinha, sim, autoridade temporal.
Literalmente. Foi por meio de uma canetada pontifícia que um novo
calendário foi instituído, em fevereiro de 1582.
Gregório 13
(1502-1585) assinou um documento determinando uma reforma na maneira de
contar o tempo. Foi a inauguração do calendário que usamos até hoje — e é
por isso que ele se chama gregoriano, aliás.
Naquele
dia 24 de fevereiro, imbuído de toda a autoridade que competia a um
papa do século 16, Gregório publicou a bula pontifícia "Inter
Gravissimas".
Ficava determinado para aquele ano um ajuste nas
datas — o dia seguinte ao 4 de outubro, quinta-feira, não seria a
sexta-feira 5 de outubro, mas, sim, a sexta-feira 15 de outubro de 1582.
A
mudança tinha seus propósitos. Há séculos estudiosos vinham alertando
para o fato de que o calendário vigente estava obsoleto — com o passar
do tempo, cada vez menos o número da folhinha correspondia aos fatos do
calendário solar, dos equinócios às próprias estações do ano.
O calendário utilizado até então era o juliano, um legado da Roma antiga, praticado desde cerca do ano de 45 a.C..
E
o mesmo já havia passado por alguns ajustes, seja para tentar corrigir
desvios, seja para render homenagens a imperadores romanos que passaram a
emprestar seus nomes a alguns meses.
A solução adotada por
Gregório 13 foi sofisticada por dois motivos: ela remediava o estrago já
feito, ao "pular" dez dias e, assim, ajustar novamente a contagem
humana de forma correspondente à natural; e prevenia novos desarranjos,
ao melhorar a regra, já adotada, do ano bissexto.
O ano bissexto,
ou seja, esse acréscimo de um dia a mais no calendário de tempos em
tempos, foi criado juntamente com o calendário juliano.
Já se tinha percebido, portanto, que o ano não tinha exatamente 365 dias, mas um pouquinho a mais.
Se colocado esse dia a mais de vez em quando, pronto, o ajuste ficava feito.
Mas
era muito impreciso o conhecimento astronômico da época. Assim, o tal
dia de lambuja já foi de três em três anos, depois de quatro em quatro.
E, bom, por politicagens e desencontros, houve épocas em que simplesmente essa mudança não ocorria.
Dezesseis séculos depois, era de se imaginar como as coisas estavam desarranjadas.
Mas,
graças a uma comissão científica convocada por Gregório 13,
descobriu-se que se a adoção de um dia ocorresse simplesmente a cada
quatro anos, com o passar do tempo a conta não iria fechar de novo.
Então
a bula papal passou a prever, em seu nono parágrafo, três regras
complementares para o ano bissexto. Exatamente as normas vigentes até
hoje.
É assim: de quatro em quatro anos o ano é bissexto, mas de
cem em cem anos não é ano bissexto, contudo de 400 em 400 anos é ano
bissexto — e as últimas regras prevalecem sobre as primeiras.
Em
outras palavras, são bissextos todos os múltiplos de 400 — ano 1600 foi
bissexto, ano 2000 foi bissexto, ano 2400 será bissexto.
E são bissextos todos os múltiplos de quatro, exceto se também for múltiplo de 100 mas não de 400.
Por isso o ano de 1900 não foi bissexto — e 2100 também não será bissexto.
Com
essa fórmula, o ano do calendário ficou matematicamente ajustável ao
natural — ou seja, ao fato de que a Terra leva 365,2425 dias para dar a
volta completa em torno do Sol.
Antecedentes
"A
necessidade de mudança no calendário, atualizando e reformando o dito
juliano, vinha sendo apontada por estudiosos desde muito antes", lembra o
estudioso de hagiografias Thiago Maerki, pesquisador da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp) e associado da Hagiography Society, dos
Estados Unidos.
"Essa questão vinha sendo levantada pelo menos desde o século 2."
Oficialmente,
o primeiro a apontar problemas no calendário juliano foi o famoso
astrônomo, geógrafo, cartógrafo e matemático Cláudio Ptolomeu (90-168).
Na era medieval, o respeitável monge Beda (673-735) também estudou o tema.
E há registros de que o frade e filósofo Roger Bacon (1220-1292) seja outro que tenha se debruçado sobre a problemática.
"No ano de 1267, ele chegou a alertar o papa sobre um erro em relação ao equinócio da primavera", diz Maerki.
"Além desses, há outros que atentavam para uma necessidade de reformulação."
Em
1344, o papa Clemente 6º (1291-1352) chegou a delegar a importantes
astrônomos de seu tempo a tarefa de repensarem uma forma melhor de
reorganizar o tempo.
Seu sucessor, Inocêncio 6º (1282-1362), também encarregou especialistas de estudarem a questão.
"No
Concílio de Constança [realizado entre 1414 e 1418] foram organizadas
intensas comissões para pensar essa reforma [do calendário]", acrescenta
Maerki.
"Foi quando acabou apontado como erro escandaloso o
calendário juliano, especialmente no que se refere à determinação da
Páscoa. Havia muito debate e especulação, mas ocorriam grandes
discussões entre astrônomos e matemáticos."
Nos anos 1476, papa
Sisto 4º (1414-1484) chamou o matemático e astrônomo Regiomontano
(1436-1476) para Roma, a fim de encomendar a ele um plano para
solucionar o calendário.
"Mas ele morreu logo após sua chegada,
segundo historiadores, provavelmente assassinado. Não conseguiu,
portanto, ajudar o papa na empreitada", salienta Maerki.
A necessidade de ajuste também foi debatida no quinto Concílio de Latrão, realizado entre 1516 e 1517.
"O papa Leão 10 [1475-1521] chamou muitos para trabalharem na resolução desses problemas", aponta o pesquisador.
Desta
época, há cartas trocadas entre os astrônomos Paolo di Middelburg
(1446-1534) e Nicolau Copérnico (1473-1543) debatendo e buscando alguma
solução para ajustar a contagem dos dias.
"Copérnico, em uma carta, diz que tudo indicava que não era possível chegar a um calendário perfeito", conta Maerki
A questão da Páscoa
Mudar o calendário não significava apenas uma questão temporal, com o perdão do trocadilho.
Havia
também religiosidade envolvida nos argumentos. Afinal, um calendário
que não correspondia ao tempo natural dificultava a celebração das
festividades religiosas.
"Durante toda a Idade Média, e há muitos
escritos sobre isso, o tempo foi se tornando um tempo sagrado, ou seja, o
tempo passou a seguir a orientação da Igreja", explica o historiador,
filósofo e teólogo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade
Presbiteriana Mackenzie.
"Em função do poder que detinha a Igreja
Católica, de como ela organizava o mundo, determinando que o domingo era
o dia do senhor e alocando as festas ao longo de todo o processo
litúrgico. Havia um novo tempo cristão, ou seja, o calendário que vinha
de Roma Antiga foi sendo de alguma maneira apropriado pela Igreja",
acrescenta ele.
Assim, quando foi ocorrendo um ajuste nas festas
pagãs, cristianizadas, era preciso que elas tivessem um correspondente
no calendário.
"Algumas dessas celebrações acabam deitando no
leito pagão, se apropriando das datas pagãs. E a principal é a Páscoa",
diz o historiador.
Segundo ele, ao longo do tempo, o calendário
acabou materializando a própria maneira que a Igreja Católica controlava
o mundo — ao menos o mundo cristão ocidental.
"A gente percebe a
força da Igreja na Idade Média ocupando o tempo do homem. A vida
cotidiana do homem medieval era determinada pelas festas, pela liturgia,
pelo calendário da Igreja Católica, que vai se impondo. São mil anos
agindo dessa maneira."
E aí residia o principal problema do
calendário juliano, quando já defasado: as tais distorções acabavam mais
visíveis justamente na festa da Páscoa.
A Páscoa é uma celebração cuja data é móvel — sempre foi assim e segue desta forma até hoje.
Mas
obedece a uma certa lógica: é no primeiro domingo depois da primeira
lua cheia seguinte ao equinócio da primavera no hemisfério norte.
Em
tese, isso implica em duas consequência: a primeira que sempre
ocorreria entre fim de março e fim de abril. A segunda: que sempre
deveria acontecer na primavera.
Mas o descompasso estava ficando tão grande entre o calendário natural e o oficial que havia um temor de um desajuste grave.
"No ritmo que as coisas caminhavam, ia chegar ao ponto em que a Páscoa seria celebrada no verão", comenta Maerki.
O
vaticanista Filipe Domingues, vice-diretor do Lay Centre em Roma e
doutor pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, na Itália,
concorda com esse ponto.
"A data da Páscoa estava se deslocando
muito do restante do ano litúrgico. E isso poderia começar a atrapalhar o
restante do calendário, encavalando as datas móveis com as datas fixas
importantes, por exemplo", argumenta ele.
Contexto da contrarreforma
Mas
também havia o contexto terreno, geopolítico. No sentido de que o
século 16 era o momento em que a toda poderosa Igreja Católica tinha sua
hegemonia ameaçada pelo contexto da Reforma Protestante.
Nesse sentido, tomar para si a missão de resolver o problema do calendário era uma demonstração de força, de poder.
"Era
um século bastante complicado para a Igreja Católica, quando ela teve
de enfrentar a reforma luterana, a reforma calvinista e a reforma
anglicana", pontua Moraes.
Dentro daquilo que ficou conhecido como contrarreforma, a Igreja Católica buscava recuperar espaço.
Este
foi o debate central do Concílio de Trento, realizado entre 1545 e
1563. E acabou sendo também uma espécie de linha-mestra do pontificado
de Gregório 13, que ficou no poder entre 1572 e 1585.
"Gregório 13 foi um papa bastante fiel às inovações do Concílio", analisa Moraes.
"Nesse
sentido, o interesse no processo [de ajustar o calendário] reunia
forças política e espiritual e demonstrava a capacidade da Igreja
Católica de dialogar com os avanços científicos da época."
O
historiador lembra que a Igreja por um lado assumia uma postura
anti-intelectual, ao criar uma lista de livros proibidos, por exemplo;
mas, por outro, via espaço para crescer na área intelectual, puxando
para si o protagonismo de debates importantes, "a partir de sua visão de
mundo".
"A reforma do calendário entra nesse processo", salienta ele.
"Grandes
inovações estavam ocorrendo e esse marco temporal era, em última
instância, uma demonstração de força da Igreja, que tinha essa força a
ponto de substituir ou aprimorar um calendário que se mostrava defasado.
Com a reforma, a Igreja demonstrava prestígio dentro da Europa",
afirma.
A comissão
Assim, Gregório 13 convocou em 1577 uma
comissão de cientistas e pensadores — ligados ao clero, evidentemente.
Finalmente, um novo calendário deveria sair.
Os trabalhos foram liderados pelo cardeal italiano Guglielmo Sirleto (1514-1585), então bibliotecário do Vaticano.
"Integraram
o grupo nomes importantes da época, entre astrônomos, matemáticos,
teólogos e historiadores", ressalta Maerki. "Todos eles, exceto um, eram
homens do clero, ou seja, padres, frades…"
Fizeram parte do grupo
dos religiosos o cardeal Vicenzo Lauro (1523-1592), o matemático
jesuíta Cristóvão Clávio (1538-1612), o matemático e teólogo Pedro
Chacón (1526-1581), o linguista e pesquisador Leonard Abel (?-1605), o
cardeal Serafino Olivier-Razali (1538-1609), entre outros proeminentes
da época.
A exceção, ou seja, o nome leigo da comissão era, na verdade, póstuma.
O
médico, filósofo, astrônomo e cronologista italiano Luigi Giglio
(1510-1576) é conhecido como o verdadeiro autor do calendário
gregoriano.
Como ele já havia morrido quando o Vaticano convocou
os trabalhos, sua proposta acabou apresentada e defendida por seu irmão,
Antonio.
"A ideia de Giglio foi considerada a mais eficiente e a de mais fácil aplicação", pontua Maerki.
"Foi
dele a contribuição mais importante no processo todo. Mas lógico que
seu documento inicial acabou passando por aprimoramentos e modificações,
nesse sentido houve um trabalho dessa comissão de religiosos que
formaram um verdadeiro conselho científico. Destes [dos religiosos], o
principal nome é Clávio, que era jesuíta, e isso mostra a força cultural
dos jesuítas na Europa desse momento", analisa Moraes.
Para o historiador, a reforma do calendário, pela maneira que ocorreu, foi importante para demonstrar o poder da Igreja.
A
implementação da nova maneira de organizar os dias era uma prova de que
o Vaticano ainda era capaz de dar as cartas "nas decisões políticas,
sociais, econômicas e até científicas".
"Usando a tecnologia da
época, consultando-se com pensadores, astrônomos e filósofos, a Igreja
Católica conseguiu promover um ajuste no calendário. Mostrava que a
Igreja, mesmo tendo perdido terreno, ainda continuava sendo de grande
importância", afirma.
"Papa Gregório 13 foi alguém que soube ler o tempo. Acabou eternizado com o 'nome' do calendário", complementa Moraes.
Resistência e coexistência
Publicada
a bula pontifícia, ficou decidido que o novo calendário entraria em
vigor no mês de outubro, portanto. Contudo, é evidente que a sua
aplicação não seria instantânea.
Por um lado, havia dificuldades
de comunicação. Por outro, a própria autoridade papal era cada vez mais
questionada, em um contexto de reformas e ascensão de outras igrejas.
No meio popular, até fake news
surgiu. Muita gente simples passou a acreditar que a mudança era alguma
maneira que os poderosos haviam inventado para roubar dez dias das
camadas populares, diminuindo seus pagamentos proporcionalmente por
exemplo.
Evidentemente que a alteração começou pelos estados mais alinhados ao Vaticano.
"Inicialmente,
acabou tendo força nos países baluartes do catolicismo, como Portugal,
Espanha, a península itálica. Onde o catolicismo era forte, a adesão foi
maior e o calendário pegou primeiro", diz Moraes.
No mundo protestante, a resistência foi grande.
"Havia
grupos que rejeitavam, então em muitos lugares o calendário novo só
começou a ser utilizado no fim do século 17, começo do século 18",
acrescenta o historiador.
O mesmo ocorre nas igrejas orientais — algumas ainda seguem liturgicamente o calendário juliano.
Maerki
cita alguns exemplos. Na Áustria, o novo calendário foi oficializado em
1583. No ano seguinte, nos cantões católicos da Suíça. Estados de
maioria luterana acabaram adotando o modelo novo por volta de 1700. Os
anglicanos, apenas em 1750.
"Já os países não cristãos levaram
mais tempo para adotá-lo. No Japão, foi em 1873. No Egito, em 1875. Na
China, em 1912 e, na Turquia, somente em 1924", conta Maerki.
"A
adesão não foi imediata, mas com o passar do tempo os países começaram a
perceber que aquilo, mesmo sendo uma demonstração de força da Igreja
Católica, estava em consonância com o que havia de mais sofisticado do
ponto de vista científico e astronômico. Não era tentativa de ludibriar
ninguém", pontua Moraes.
"Mas em boa parte do mundo houve a coexistência [dos dois calendários] por muito tempo", completa ele.
"Em muitos países, os dois calendários coexistiram por um tempo, já que a aceitação foi paulatina", acrescenta Maerki.
Ao longo do tempo, a cidade de Vitória da Conquista
sofreu intervenções importantes do poder público municipal, visando, senão
evitar, pelo menos, diminuir os efeitos das enxurradas em dias chuvosos, uma vez
que a Serra do Peri-peri circunda nosso núcleo central e as nascentes do rio
Verruga, bem como as águas pluviais decorrentes de chuvas fortes ou fracas,
descem pelo centro da cidade, causando transtornos e, por vezes, acidentes
fatais, ceifando vidas dos transeuntes, derrubando casas, invadindo lojas,
trazendo enormes prejuízos aos conquistenses.
Coube aos prefeitos dos últimos 60 anos a tarefa de
desviar as águas, construir galerias no centro para que o rio Verruga deixasse
de incomodar a movimentação normal do nosso sempre forte comércio, construísse
bueiros e implantasse conjunto de manilhas adequado para a evasão dessas águas
de enxurradas, sempre no intuito de trazer mais segurança e conforto para a
nossa população que tem de usar o centro comercial para resolver seus problemas
do dia-a-dia.
Não vamos citar os nomes desses prefeitos para não
parecer que estamos tentando ressuscitar ‘El Cid’, como disseram uns arautos da
mídia que não se respeitam e por isso mesmo não aceitam nada que não lhes saia
da idéia. Mas isso não vem ao caso.
Ultimamente, na
era PT, ‘não temos visto a continuidade destes serviços’ e o que vemos é o
alagamento sistemático do centro comercial. As pessoas arriscando-se com água
pelos tornozelos ou até pelos joelhos, arriscando-se a se infectarem de doenças
oportunistas, tipo lepstopirose, pneumonia, etc, principalmente na hora de
deixar o trabalho e voltar para suas casas, para o almoço ou à noitinha.
Notamos que a mídia não faz a devida crítica (que é nossa obrigação de ofício).
Uma mídia que tem medo de criticar deveria inexistir, pois este é o seu papel
precípuo. Acabaram-se os tempos em que os jornais de oposição eram incendiados,
jornalistas foram assassinados, redações dos jornais e até das emissoras de
Rádio eram invadidas e até as pequenas críticas levavam os donos do mundo a
perseguirem os escribas. Há mais de 30 anos não registramos atos de tal
violência, a não ser, esporadicamente, uma ação ou outra, a exemplo da invasão
da sede do jornal O RADAR, da sucursal do jornal A TARDE e a ameaça de morte
que sofreu nosso confrade Jeremias Macário, nos anos 1990 e o assassinato do
jovem João Alberto Souto, proprietário do Jornal do Estado, que publicava
matérias insidiosas com a sua metralhadora giratória, ferindo a honra de quem
quer que fosse, a maioria das matérias, eivadas de inverdades e ataques
pessoais, parte pelo ciúme doentio da sua parceira, parte pela incúria e
despreparo emocional para capitanear um jornal periódico, que o fazia pensar, equivocadamente,
estar acima de tudo.
Que a prefeitura entenda que uma cidade que se
desenvolve, com o investimento de empresas de fora, a cidade que ganhou um novo
aeroporto, que pleiteia uma telefonia e sistema de INTERNET mais compatível com
a realidade dos centros mais desenvolvidos, deveria fazer o seu dever de casa.
Cuidar mais do saneamento básico, fazer manutenção das tubulações de
esgotamento pluvial e até mesmo do esgotamento sanitário com rigor e tratar
(isso sim), da sua ampliação, com a construção de galerias e obras de
contenção, mormente entre o Alto Maron, Cruzeiro e o bairro Guarani. Dali é que
as águas das chuvas vão se avolumando até chegarem ao centro como se fossem o
resultado de ‘diques quebrados’, barragens rompidas, deixando as pessoas
nervosas, trazendo preocupação para as famílias que procuram os consultórios
médicos, hospitais e o comércio, deixando velhos, crianças, cadeirantese mulheres grávidas ilhados, indefesos por
horas, sem saberem que destino tomar ou o que fazer.
No CEASA, os proprietários da baixada ficam com suas
mercadorias boiando, as casas ameaçam desabar, é um deus-nos-acuda e ninguém
faz nada ou é responsabilizado por nada ter feito (pecando por omissão).
Cadê o Ministério Público? Onde andam os intocáveis
Promotores de Justiça que não se movimentam em Ação Civil Pública visando
exigir que o Poder Municipal aja? E a nossa Câmara de Vereadores? Ah, anda em eterno
recesso...
Mas o recesso não atinge a vida pessoal de cada
vereador que deveria estar se manifestando contra tais mazelas...
Com todo o respeito, senhores, a cidade clama pela
ação de nossos representantes, a nível político e a nível institucional. E as
entidades de classe, por que não se manifestam? Será que nossa democracia é
exercida pela Lei do Silêncio?
Até o próximo temporal ou mesmo, até a próxima neblina,
a próxima enxurrada, até a próxima morte de inocentes!
Nestes dias que passei na UTI, acometido pela COVID19,
por falta do que fazer, já que me encontrava imobilizado, preso ao leito para
receber oxigênio, soros e outros medicamentos, andei fazendo uma viagem pela
minha passagem aqui no Planeta.
Passei a recordar fatos da infância, da adolescência e
mais tantos que povoaram a minha longa existência. E agora estou disposto a
contar alguns, aqueles que são publicáveis, uma vez que tenho minhas reservas
quanto a fatos que envolvam romances e outros que seriam censurados pelo
sentimento ético que norteia a minha vida.
O CINE LICEU E “OS PÁSSAROS” DE HITCHOCK
Corria o ano de 1965 quando o Cine Liceu anunciou Os
Pássaros, do grande diretor Alfred Hitchock. Minhas irmãs Teresa e Stella, além
da minha então cunhada Terezinha, mostraram-se interessadas em ver o filme que
vinha recomendado como uma grande produção do Hitchock. Marcamos horário
noturno e fomos do Rio Vermelho para a Praça da Sé, em Salvador, imediações das
melhores salas de cinema da Capital da Bahia, naquele período.
Chegando no destino, como não havia vaga para
estacionar muito próximo ao cinema e pelo fato de estar neblinando, parei o Jeep
e elas desceram para me esperar no vestíbulo do cinema. Logo, logo estacionei e
fui ao seu encontro. Na entrada do Liceu, deparo-me com uma cena grotesca. Um
malandro de branco havia agarrado o cabelo ‘rabo-de-cavalo’ de Terezinha e
insistia em segurar, enquanto ela lutava para desvencilhar-se. Incontinenti,
dei um empurrão no vagabundo e quando ele se virou, desferi um direto em suas
fossas nasais, enquanto a Polícia chegava e dava conta do resto, levando o
meliante para a delegacia da rua da Misericórdia, nas proximidades do local.
Era a famosa Delegacia de Jogos e Costumes. Um dos policiais chamou-me a
atenção para o fato de que eu havia agredido um sujeito muito perigoso: - O Sr.
Já ouviu falar em Paulo Satanás? No momento fiquei indeciso, apesar de não ser
estranho aquele inusitado apelido. E o policial continuou: - Ele é aquele
bandido que cortou de navalha alguns passageiros do bonde da Liberdade quando
passava pelo Ramo de Queiroz e aconselho-o a ter cuidado na saída do cinema,
pois não estaremos aqui para protege-los. Ele é vingativo, frio e tem algumas
mortes na conta! Fiquei perplexo!
Confesso que assisti o filme sentindo mais frio que o
normal, embora a sala de cinema tivesse um ar condicionado central muito forte.
Na saída, pedi às meninas para esperarem um pouco,
enquanto eu faria uma varredura na rua para ver se estava tudo tranquilo. Fui
ao estacionamento, peguei o Jeep e parei bem na porta do Liceu. Elas entraram e
eu toquei a barca para o Rio Vermelho. Não vi sinal do meliante. No dia
seguinte, li na página policial que ele teria ficado preso pela agressão e o
episódio passou.
Daí por diante, criei uma espécie de trauma pelo
ocorrido e evitava ao máximo a ver filmes no Liceu. Procurava outras salas. Às
vezes ficava irritado por perder bons filmes, uma das minhas mais repetidas
corridas ao entretenimento, numa época em que a TV estava em fase muito
embrionária em Salvador.
Passados um ano e meio, mais ou menos eu li que o
meliante havia sido morto no baixo meretrício, onde ele circulava com certa
frequência. Este é um fato. E como tal, o descrevo. Ad Perpetuam Rei Memoriam.
Nesta semana o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) suspendeu
a decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública de Vitória da Conquista que
havia proibido o serviço de transporte de passageiros em motocicleta. A
limitar concedida na última sexta-feira (18) foi formulada pela
Procuradoria-Geral do Município, que já se manifestou diversas vezes
contrárias à liberação do serviço.
Em decisão proferida na última terça-feira (22), a desembargadora
Pilar Célia Tóbio de Castro, relatora do processo na corte estadual,
deferiu o pedido de efeito suspensivo apresentado pela Uber do Brasil
Tecnologia Ltda e a proibição imposta anteriormente perdeu sua validade.
A decisão foi publicada nesta sexta-feira (25) e tem validade imediata.
Com isso, o serviço Uber Moto volta a ser ofertado para os usuários
de Vitória da Conquista, conforme confirmou a assessoria de comunicação
da Uber Brasil à reportagem da Agência Sertão.
BRASÍLIA
— O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta quarta-feira um decreto que
cria uma carteira de identidade nacional. Com a medida, o número de RG
deixa de existir e o CPF passar a ser o único número de identificação
para todo o país. O decreto também acaba com a possibilidade de emissão
de uma carteira de identidade diferente em cada estado.
O decreto
foi assinado em cerimônia no Palácio do Planalto e ainda não foi
publicado no Diário Oficial da União (DOU). De acordo com a
Secretaria-Geral da Presidência, o decreto entra em vigor no dia 1º de
março e os institutos de identificação terão até dia 6 de março de 2023
para se adequarem à mudança. A emissão da carteira será gratuita.
A
carteira de identidade atual continuará sendo aceita por até 10 anos
para a população que tem até 60 anos de idade. Para quem tem acima de 60
anos, será aceita por prazo indeterminado.
— Gradativamente
deixaremos de ter uma carteira de identidade para cada estado. Haverá
uma identificação única do cidadão, será a carteira de identidade
nacional, com padrão único de emissão, inclusive om QR code. Válida em
todo o território, com todas as informações necessárias. O número do CPF
passa a ser o único número de identificação nacional — afirmou o
ministro da Secretaria-Geral, Luiz Eduardo Ramos, no evento.
Em
paralelo a isso, no início do mês o presidente do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, e o ministro da
Economia, Paulo Guedes, lançaram uma nova fase de implementação do
Documento Nacional de Identidade (DNI), um aplicativo gratuito que vai
reunir documentos como CPF, RG, título de eleitor e Carteira Nacional de
Habilitação (CNH), além de dados biométricos.