A Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista manifesta seu mais
profundo pesar pelo falecimento do cirurgião maxilo-facial Carlos Elias
Fernandez Cambra de Freitas, aos 57 anos, ocorrido nesta terça-feira
(10), em decorrência da Covid-19.
Carlos Elias deixa uma filha de 15 anos e o legado de ter mudado a
vida de centenas de crianças e adolescentes por meio da correção facial.
Lotado na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) desde 2014, o cirurgião
maxilo-facial era responsável por cirurgias reparadoras de anomalias
faciais realizadas desde a municipalização do Hospital Esaú Matos,
administrado pela Fundação de Saúde de Vitória da Conquista (FSVC),
sendo referência nacional na área.
Por que Bolsonaro vai receber tanques de guerra no Planalto nesta terça-feira
Mariana Schreiber - @marischreiber - Da BBC News Brasil em Brasília
Se confirmado, desfile de tanques em frente ao Palácio do Planalto para entrega de convite a Bolsonaro seria inédito
Em
um momento de forte tensão entre o governo Jair Bolsonaro e o Poder
Judiciário, as Forças Armadas planejam um desfile militar inédito em
frente ao Palácio do Planalto nesta terça-feira (10/08), segundo
informou de manhã a Marinha em um comunicado oficial.
A nota disse
que "um comboio com veículos blindados, armamentos e outros meios da
Força de Fuzileiros da Esquadra, que partiu do Rio de Janeiro, passará
por Brasília". O destino final é o Campo de Instrução de Formosa (CIF),
onde é feito anualmente, desde 1988, um grande treinamento da Marinha, a
chamada Operação Formosa.
No entanto, o comunicado sugere que o
comboio passará em frente ao Palácio do Planalto, que fica na Praça dos
Três Poderes, junto com o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal
Federal (STF). Caso se confirme, esse ato em pleno dia útil seria
inédito. Anualmente, há desfile militar na Esplanada dos Ministérios
durante as celebrações do Feriado da Independência, em 7 de Setembro.
"Na
oportunidade, às 8h30, no Palácio do Planalto, serão entregues ao
Presidente da República, Jair Bolsonaro, e ao Ministro da Defesa, Walter
Souza Braga Netto, os convites para comparecerem à Demonstração
Operativa, que ocorrerá no dia 16 de agosto, no CIF", diz ainda o
comunicado.
Será a primeira vez que a operação contará com a participação do Exército e da Força Aérea, segundo informou também a Marinha.
Na
noite de segunda-feira, a Marinha publicou outra nota confirmando que
um comboio com viaturas entregará ao presidente um convite para o evento
de 16 de agosto. O texto não especifica quantos veículos iriam para o
Planalto, afirmando apenas que "14 viaturas ficarão em exposição (…) em
frente ao prédio da Marinha na Esplanada dos Ministérios".
Na
mesma noite, o presidente Bolsonaro postou em suas redes sociais que a
Marinha realiza exercícios em Formosa desde 1988 e que, "como a tropa
vem do Rio, Brasília é passagem obrigatória".
Citando os
presidentes do "STF, Câmara Federal, Senado, TCU, TSE, STJ, TST", além
de parlamentares, o presidente convidou outras autoridades para receber
"os cumprimentos da Força" na manhã de terça-feira.
Estudioso das
Forças Armadas, o professor Juliano Cortinhas, do Instituto de Relações
Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), disse à BBC News
Brasil que não há precedente de iniciativa similar durante o período
democrático brasileiro.
"Essas demonstrações são inéditas na nossa democracia. Em regimes ditatoriais, mais fechados, são comuns", afirmou.
"Um
absurdo total. Algo impensável na democracia, principalmente porque o
risco (de ruptura democrática) a partir das declarações do próprio
presidente está muito elevado", criticou ainda.
Para ex-ministros da Defesa ouvidos pela BBC News Brasil,
a entrega do convite com presença de tanques é uma tentativa de
demonstração de força do presidente "ridícula", "inócua" e "golpista"
que mostra, na verdade, como ele está acuado e enfraquecido.
O
diplomata e ex-ministro da Defesa Celso Amorim classificou o plano como
"um absurdo total" e uma "ameaça de golpe". Ministro da Defesa durante o
governo de Michel Temer, Raul Jungmann afirma que o efeito do desfile
de blindados será "desastroso", embora não acredite que ele vá
interferir na votação da PEC do voto impresso na Câmara.
Já o
ex-ministro da Defesa Jaques Wagner (que ocupou o cargo em 2015 durante o
governo Dilma) afirma que a participação de Bolsonaro em um ato com
tanques é uma tentativa "ridícula" de controlar o noticiário.
Voto impresso na Câmara
O
desfile militar ocorre no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados deve
votar uma proposta de emenda constitucional (PEC) que visa implementar o
voto impresso nas eleições de 2022, principal bandeira de Bolsonaro no
momento.
Sem apresentar qualquer prova, o presidente diz que as
urnas podem ser fraudadas e alega que apenas o voto impresso afastaria
esse risco.
Já o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rebate dizendo
que a urna eletrônica conta com inúmeros mecanismos de segurança que
garantem a integridade das eleições.
Na noite de segunda-feira, a
nota da Marinha garantiu que a "entrega simbólica" do convite a
Bolsonaro "foi planejada antes da agenda para a votação da PEC 135/2019
no Plenário da Câmara dos Deputados, não possuindo relação com a mesma".
O
presidente da Câmara, Arthur Lira, decidiu colocar PEC do voto impresso
em votação no plenário, mesmo após proposta ser rejeitada em comissão
especial
Questionado
se vê o desfile militar como uma tentativa do presidente de demonstrar
força e pressionar a Justiça Eleitoral e o Congresso, o professor da UnB
disse que "a própria dúvida (sobre essa intenção) já é grave e muito
prejudicial para nossa democracia".
"A grande questão pra mim não é
nem se perguntar o real significado de uma demonstração como essa, mas
sim a gente refletir sobre o fato de que há muitas dúvidas a respeito de
qual papel as Forças Armadas pretendem jogar no processo eleitoral que
já foi iniciado de fato, porque o Bolsonaro está em campanha por todo o
país, usando dinheiro público ilegalmente pra fazer campanha", disse o
professor, em referência às viagens feitas pelo presidente para
participar de atos políticos, como passeios de motocicleta com seus
apoiadores.
Para Cortinhas, as Forças Armadas não têm cumprido sua
função constitucional de proteger as instituições democráticas ao
permitir que Bolsonaro ataque os outros Poderes. Nas últimas semanas, o
ministro da Defesa chegou a fazer manifestações públicas em defesa do
voto impresso e contra a atuação do senador Omar Aziz (PSD-AM),
presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.
"Importante
lembrar que uma das funções das Forças Armadas pelo artigo 142 da
Constituição é proteger as nossas instituições democráticas, e elas não
estão cumprindo o seu papel constitucional, portanto, já que o
presidente vem atacando a cada dia com mais veemência a nossa democracia
e as Forças Armadas estão caladas", criticou.
"E, indo além,
estão se posicionando a favor dele, quando as Forças Armadas aceitam as
falas do Bolsonaro quietas e contrapõem outros Poderes
institucionalizados, como a Suprema Corte do nosso país, como o próprio
Congresso. Então, eu vejo que é um momento extremamente preocupante",
acrescentou.
Entenda agravamento da crise
O voto impresso
se tornou nas últimas semanas epicentro de uma grave crise institucional
entre o Palácio do Planalto e o Poder Judiciário, com Bolsonaro fazendo
ataques diários à Justiça Eleitoral e a ministros do TSE e do STF, em
especial Luís Roberto Barroso (presidente do TSE).
Do outro lado,
TSE e STF reagiram abrindo investigações contra Bolsonaro. A apuração na
Corte Eleitoral tem potencial de deixar o presidente inelegível por
oito anos, impedindo-o de tentar a reeleição em 2022.
Urna eletrônica é usada há 25 anos no Brasil e nunca foram encontradas evidências sérias de fraudes, diz TSE
Já
o ministro do STF Alexandre de Moraes incluiu Bolsonaro como
investigado no inquérito das Fake News para apurar se o presidente
cometeu crimes durante uma transmissão ao vivo realizada na quinta-feira
passada (29/07) em que alegou ter indícios fortes de fraudes nas
últimas eleições, usando vídeos antigos que circulam na internet já
desmentidos pelo TSE.
Após a decisão, Bolsonaro disse que o inquérito é ilegal e ameaçou agir fora da Constituição.
"Está
dentro das quatro linhas da Constituição (a decisão de Alexandre e
Moraes)? Não está. Então o antídoto para isso também não é dentro das
quatro linhas. Aqui ninguém é mais macho que ninguém", disse na
quarta-feira (04/08).
"Sou presidente 24 horas por dia. O meu jogo
é dentro das quatro linhas (da Constituição), mas se sair das quatro
linhas, sou obrigado a sair das quatro linhas. É como o inquérito do
Alexandre de Moraes: ele investiga, ele pune e ele prende. Se eu perder
(as eleições) vou recorrer ao próprio TSE? Não tem cabimento isso",
declarou também.
Depois dessas falas, o presidente do STF, Luiz
Fux, cancelou reunião que havia convocado com Bolsonaro e os presidentes
da Câmara (Arthur Lira) e do Senado (Rodrigo Pacheco) para tentar
reduzir a crise.
"O presidente da República tem reiterado ofensas e
ataques de inverdades a integrantes desta Corte, em especial os
ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Sendo certo que,
quando se atinge um dos integrantes, se atinge a Corte por inteiro",
disse Fux ao cancelar o encontro.
"Além disso, sua excelência
(Bolsonaro) mantém a divulgação de interpretações equivocadas de
decisões do plenário bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez
do processo eleitoral brasileiro", acrescentou.
Parlamentares de oposição farão ato em frente ao Congresso contra o desfile militar
CAMILA MATTOSO - FOLHAPRESS
***ARQUIVO***BRASÍLIA,
DF, 30.07.2021 - O presidente Jair Bolsonaro recebe o presidente de
Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, em visita oficial ao Brasil, no
Palácio do Planalto, em Brasília (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress) ORG
XMIT: AGEN2107301215959207
BRASÍLIA,
DF (FOLHAPRESS) - Parlamentares de oposição farão manifestação em
defesa do Congresso Nacional na manhã desta terça-feira (10), em
contraposição ao desfile de blindados em frente ao Palácio do Planalto,
marcado para a mesma data.
Eles pretendem se contrapor ao evento
militar visto como tentativa de intimidação do Legislativo a votação da
PEC do voto impresso defendida por Jair Bolsonaro pode acontecer nesta
terça-feira (10).
Os parlamentares se reunirão no salão negro da
Câmara dos Deputados às 10h e posteriormente se colocarão em frente ao
Congresso, para simbolizar a defesa do Legislativo.
"É uma
demonstração de como o governo é tutelado e como essa simbiose entre
governo e Forças Armadas está comprometendo a independência das Forças
Armadas. Elas, caso se prestem a esse papel, estarão prestando um
desserviço à democracia. O Brasil é um país democrático", diz José
Guimarães (CE), deputado e vice-presidente do PT.
"O
Congresso é um dos sustentáculos da democracia e não pode ser
pressionado por tanques para votar a PEC do voto impresso. O Congresso
tem independência. Assim foi que nos ensinou Ulysses Guimarães. Temos
que reagir à altura a essa atitude fascista e ditatorial do governo
Bolsonaro", completa.
"Não aceitamos interferência no Poder
Legislativo. E se tem alguém sério aqui tem que nos ajudar. Aqui não é
quartel-general do Bolsonaro nem das Forças Armadas. Aqui é o
quartel-general da democracia", conclui.
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Bolsonaro se apresenta como 'chefe supremo' das Forças e chama presidentes de Poderes para ver blindados
RENATO MACHADO
***ARQUIVO***BRASÍLIA,
DF, 13.07.2021 - Presidente Jair Bolsonaro durante solenidade alusiva à
sanção da privatização da Eletrobras, no Palácio do Planalto, em
Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA,
DF (FOLHAPRESS) - Em meio à polêmica causada pelo desfile de blindados
previsto para esta terça-feira (10), o presidente Jair Bolsonaro postou
em suas redes sociais um convite para que autoridades de Brasília, como
os presidentes das Casas Legislativas e do Judiciário, recebam também os
veículos militares.
O desfile dos veículos provocou reação por
ocorrer em um momento de tensão institucional, além de ser a data
prevista para que a Câmara dos Deputados vote a PEC (proposta de emenda à
Constituição) do voto impresso. O presidente já assume a possibilidade
de derrota.
Mesmo aliados do presidente reagiram ao evento
militar. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que se
trata de uma "coincidência trágica" que o desfile dos blindados aconteça
no mesmo dia previsto para a votação da PEC.
"Sr. Presidente do
... STF, Câmara Federal, Senado, TCU, TSE, STJ, TST, Deputados,
Senadores... : Como ocorre desde 1988, a nossa Marinha realiza
exercícios em Formosa/GO. Como a tropa vem do Rio, Brasília é passagem
obrigatória. Muito me honraria sua presença amanhã na Presidência
(08h30), onde receberei os cumprimentos da Força e lhes desejarei boa
sorte na missão", divulgou em rede social Bolsonaro, que completa sua
assinatura lembrando ser o "Chefe Supremo das Forças Armadas".
O
Ministério da Defesa planejou para esta terça-feira um desfile de
blindados da Marinha que passará em frente ao Palácio do Planalto, em
Brasília. Os veículos militares seguem para Formosa (GO), onde será
realizado um grande exercício militar, com a presença de membros não
apenas da Marinha como também do Exército e da Aeronáutica.
Embora
seja um exercício de adestramento tradicional da Marinha, essa seria a
primeira vez que os blindados entrariam em Brasília. Além disso, eles
seguirão para a Praça dos Três Poderes, em um momento de grande tensão
entre os poderes, em particular entre o Executivo e o Judiciário.
O
evento ocorre, por exemplo, em meio uma série de declarações golpistas
de Bolsonaro e na semana em que está prevista a votação do voto impresso
na Câmara.
Bolsonaro vem promovendo uma série de ataques ao
sistema eleitoral brasileiro. Nessa cruzada, vem criticando diretamente
autoridades do judiciário. Usou mesmo palavras de baixo calão contra o
presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luis Roberto
Barroso, e disse sobre o ministro do STF Alexandre de Moraes que "sua
hora vai chegar".
A Marinha buscou minimizar o desfile, afirmando
que se trata apenas da entrega de um convite a Bolsonaro e ao ministro
Walter Braga Netto (Defesa) para que as autoridades participem, na
próxima segunda-feira (16), de um tradicional exercício da Marinha que
ocorre desde 1988.
O evento não consta na agenda oficial desta
terça-feira do presidente da República, mas autoridades no Planalto
consideram sua presença como certa. Também não consta na agenda oficial
divulgada, mas é possível que Bolsonaro receba alguns ministros para uma
reunião no mesmo horário da chegada dos blindados.
De acordo com a
assessoria de comunicação da Defesa, trata-se de uma ação de divulgação
do exercício. Segundo a Marinha, a Operação Formosa envolverá neste ano
mais de 2.500 militares das três Forças é a primeira edição que
Exército e Aeronáutica participam.
No total, serão 150 diferentes
equipamentos, entre carros de combate, blindados, aeronaves e lançadores
de mísseis e foguetes. O objetivo é simular uma operação anfíbia.
"Nesta
terça-feira, pela manhã, comboio com veículos blindados, armamentos e
outros meios da Força de Fuzileiros da Esquadra, que partiu do Rio de
Janeiro, passará por Brasília, a caminho do Campo de Instrução de
Formosa", afirma.
"Na oportunidade, às 8h30, no Palácio do
Planalto, serão entregues ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e
ao ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, os convites para
comparecerem à demonstração operativa", completa a Marinha, em nota.
O
Ministério da Defesa foi questionado pela reportagem, mas não informou
qual é o custo total do desfile de blindados nem quantos veículos e
militares vão participar do evento. A pasta informou apenas que iria
repassar o pedido para a assessoria de imprensa da Marinha, organizadora
do evento, que também não se manifestou sobre essas questões.
No
início da noite de segunda-feira, a Marinha divulgou nota na qual buscou
esclarecer alguns pontos e amenizar o mal-estar causado pelo evento.
A
Força afirma que a entrega simbólica dos convites foi planejada antes
do anúncio da data da votação da PEC do voto impresso, que ocorre nesta
terça-feira, e que não há relação nenhuma entre os dois acontecimentos
ou com "qualquer ato em curso nos Poderes da República".
O texto
da Marinha também afirma que, do comboio total de blindados, 14 viaturas
vão ficar em exposição para apresentar à sociedade brasileira os
equipamentos e preparo. A Marinha, por outro lado, não esclareceu se
esses serão os únicos veículos que percorrerão a Esplanada dos
Ministérios.
"A entrega do convite ao presidente da República foi
planejada para contemplar um comboio composto de algumas das principais
viaturas, cujo total da Operação é 150, e que iniciaram o deslocamento
para o Planalto Central desde o dia 8 de julho", afirma o texto.
"Desse
comboio, 14 viaturas ficarão em exposição durante esta terça-feira, em
frente ao prédio da Marinha na Esplanada dos Ministérios. Os eventos
buscam valorizar e apresentar à sociedade brasileira o aprestamento dos
meios operativos da nossa Marinha", completa.
Às vésperas do
desfile de blindados, Bolsonaro se reuniu fora da sua agenda oficial com
o ministro Walter Braga Netto. O presidente se dirigiu na tarde desta
segunda a um prédio do Ministério da Economia, para um compromisso na
Autoridade Nacional de Proteção de Dados.
Após mais de uma hora
que estava no prédio, Braga Netto chegou ao local e permaneceu cerca de
15 minutos. Saiu em seguida, sem falar com a imprensa. Bolsonaro ainda
permaneceu no prédio do ministério, mas também saiu sem dar declarações.
A iniciativa do militares repercutiu entre congressistas e gerou reações.
Parlamentares
de centro, centro-direita e esquerda pretendem, durante o desfile, se
posicionar em silêncio na rampa do Congresso com cartazes em defesa da
democracia.
Em seu desespero de besta acuada, Bolsonaro tenta
demonstrar força colocando tanques na rua. O Parlamento reagirá à altura
mostrando a fraqueza do presidente, que faz um teatro para seus
militantes para justificar a previsível derrota do voto impresso,
afirmou o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), que organizou a mobilização.
Mostraremos,
juntando parlamentares de direita, de centro e de esquerda, que a
democracia brasileira é mais poderosa que Bolsonaro. O tiro sairá pela
culatra.
A deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC) avalia que a
realização do desfile é uma tentativa de Bolsonaro de pressionar os
parlamentares e passar a ideia de que tem força, quando, de fato, não
tem.
Esse trabalho das Forças Armadas é corriqueiro, necessário.
Agora, quando os blindados passam pela Esplanada dos Ministérios num
dia importante como esse, é o Bolsonaro tentando usar as Forças Armadas
para seu projeto pessoal, disse. Se a ideia é intimidar, é o inverso
que vai acontecer, porque ninguém gosta disso. Os blindados do Bolsonaro
podem passar por cima do pé dele.
"Nossa resposta será a derrota do voto impresso, diz o líder do PT na Câmara, Bohn Gass (RS).
Vice-presidente
da CPI da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) atacou, em uma
rede social, a presença de blindados na Esplanada nesta terça.
"Alguns
avisos ao sr. inquilino do Palácio do Planalto: 1) Colocar tanques na
rua não é demonstração de força, e sim de COVARDIA; 2) Os tanques não
são seus, pertencem à Nação; 3) Quer tentar golpe Sr. @jairbolsonaro? É o
crime que falta para lhe colocarmos na cadeia", escreveu.
Nos últimos anos de sua vida, meu pai, Herzem Gusmão, teve a
chance de viver e celebrar o seu maior sonho: governar a cidade que ele
tanto amava. Foi o povo desta terra quem deu a ele essa oportunidade. E
foi o povo quem o fez novamente, no ano passado, com toda clareza e
legitimidade, ao reelegê-lo para um segundo mandato que ele,
infelizmente, não conseguiu cumprir.
Como seu filho e, junto com minha família, estive com ele até o
fim. Fui e sou testemunha da força e da coragem do meu pai na luta para
vencer a enfermidade, e do seu empenho para conseguir cumprir a missão
que o povo de Conquista lhe concedeu. Mas, para nossa dor e tristeza, e
que foi compartilhada com toda a cidade, ele faleceu no dia 18/03/21 e
não pode dar continuidade ao brilhante trabalho que vinha desenvolvendo
em nossa terra.
Somente por essa fatalidade, meu pai não está à frente do atual
governo desta cidade, junto com Sheila Lemos, como o povo conquistense
decidiu através de uma enorme votação. Também por isso, meu pai não pode
mais se defender de ataques, ofensas e declarações vazias, de onde quer
que elas venham. Estas acusações se tornam ainda mais absurdas quando
partem de quem se coloca em posição de liderar um governo que é a
continuidade da obra que ele realizou e que contou com grande
reconhecimento da população e repercussão nacional.
Meu pai não está mais entre nós, mas não será esquecido. Sua luta
não será abandonada, seu legado não será desmerecido, seu nome será
honrado e lembrado. A população de Conquista está atenta, vigilante, e
vai cobrar a realização do projeto consagrado pelas urnas. Estamos aqui.
Permanecemos ao lado deste povo na luta pelos valores, pela
transformação que ele semeou nesta terra, pela integridade e honestidade
que ele imprimiu em tudo que fez e sonhou. Repetindo e proclamando suas
palavras: “Ninguém conseguirá atrapalhar a minha querida Vitória da
Conquista, joia do Sertão baiano”.
Pedro Barros começou no skate com 1 ano e superou doping antes das Olimpíadas
Medalhista
de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 é fã de Ayrton Senna e tem
mais de dez tatuagens que contam casos curiosos de sua trajetória
Por Paulo Roberto Conde — Tóquio, Japão
GE - Pedro passou praticamente todos os seus 26 anos em contato com o skate.
Não é exagero. Ele gosta de contar que, com um aninho, descobriu o
equipamento depois que um amigo da família deixou um de seus shapes na
casa dos Barros, em Florianópolis.
A união tem sido intensa e inquebrantável desde então. Pedro Barros
cresceu no ambiente certo, já que o pai, André, tinha uma loja de surfe
na capital catarinense e adorava esportes radicais. Primeiro vieram os
tombos, depois as manobras iniciais e, quando reparou, já rodava o mundo
para competir.
Pedro Barros mostra a medalha de prata no skate park nas Olimpíadas de Tóquio 2020 — Foto: REUTERS/Mike Blake
Com 14 anos, no X-Games de Los Angeles de 2009, foi pela primeira vez
ao pódio de um grande evento internacional ao ficar em terceiro lugar no
Vert.
- A minha vida era o skate. Se você me perguntasse como eu queria
morrer, e existia muito essa pergunta quando eu era criancinha, era com
um skate debaixo do meu braço ou andando de skate. Espero que não seja
andando, mas com o skate debaixo do braço seria bom, até - disse, em
entrevista ao ge em 2019.
Ouro de Ana Marcela e britânica sensação no skate: o que rolou no dia 12 da Olimpíada
Ana Marcela Cunha ficou com o ouro na maratona aquática 10km em Tóquio (Foto: REUTERS/Leonhard Foeger)
O
12º dia oficial de competições nos Jogos Olímpicos de Tóquio contou com
mais uma medalha de ouro do Brasil. Desta vez, quem subiu ao lugar mais
alto do pódio foi Ana Marcela Cunha, na maratona aquática. As disputas
ainda tiveram a britânica Sky Brown, do skate park, como grande sensação
da madrugada.
Perdeu algum detalhe? O Yahoo Esportes destaca o que de melhor rolou durante o dia 12 das Olimpíadas.
É ouro! Ana Marcela é campeã na maratona aquática
Na
primeira competição do 12º dia, o Brasil levou o ouro na maratona
aquática 10km feminino. Ana Marcela Cunha fez valer o seu favoritismo e
venceu a prova depois de 1h59min30s08 nas águas do Odaiba Marine Park.
É a segunda medalha do Brasil na modalidade em Jogos Olímpicos. Em 2016, Poliana Okimoto ficou com o bronze na prova
Vôlei de praia: Alison a Álvaro são eliminados
O
Brasil deu adeus à última esperança de medalha no vôlei de praia nesta
Olimpíada. Alison e Álvaro Filho, os últimos brasileiros que seguiam na
disputa da modalidade em Tóquio, perderam por 2 sets a 0 para Plavins e
Tocs, da Letônia, e encerram participaçao nas quartas de final.
Após
a eliminação, Alison fez um desabafo e disse que o vôlei de praia
brasileiro "parou no tempo". "O Brasil ganhou medalha de ouro em 2016 e
não mudou nada, não teve investimento, ficou tudo parado, do mesmo
jeito, menos etapas, esperando Alison e Bruno, Alison e Bruno, como foi
com Ricardo e Emanoel", disse.
Skate park tem britânica sensação e Brasil fora do pódio
Ouro para Martine e Kahena: medalha consolida soberania olímpica da vela e do clã Grael
A medalha de ouro conquistada pela carioca Martine Grael e pela
paulista Kahena Kunze na madrugada desta terça-feira (3/8) em Tóquio
2021 consolidou o domínio da vela como o esporte mais campeão do Brasil
em Olimpíadas.
O ouro é o oitavo da história da vela brasileira — uma trajetória que
começou com dois ouros em Moscou em 1980 e que vem rendendo medalhas ao
país em todas as edições dos Jogos desde então. É disparado o esporte
brasileiro com o maior número de medalhas de ouro nos Jogos. O segundo
esporte mais campeão do Brasil, o atletismo, ganhou cinco ouros.
A
vela brasileira também produziu o maior campeão olímpico da história do
país: o velejador Robert Scheidt, detentor de dois ouros, duas pratas e
um bronze.
Mas
a trajetória que mais impressiona é a da família de Martine, os Grael. O
clã é responsável por nove medalhas olímpicas. O pai da velejadora,
Torben, é um dos maiores campeões olímpicos do Brasil, com dois ouros,
uma prata e dois bronzes (possui o mesmo número de medalhas de Scheidt,
mas com uma prata a menos).
O tio, Lars Grael, ganhou dois
bronzes. Ele continuou competindo mesmo depois de um acidente em 1998,
quando, durante uma prova em Vitória, um barco de pesca invadiu a área
da regata e se chocou com a embarcação de Lars. O velejador caiu na água
e teve uma de suas pernas decepadas pela hélice da lancha.
O irmão mais velho de Martine, Marco Grael, também competiu em Tóquio
2021 na mesma classe, 49er FX em dupla, mas não se classificou para a
Medal Race, a regata final.
Hoje com 30 anos de idade, a bicampeã olímpica começou a velejar aos quatro anos de idade e é atleta do Rio Yacht Club.
A
tradição da família de Niterói — berço dos Grael e do iatismo
brasileiro — é longa. Martine é neta do coronel do Exército Dickson
Melges Grael, ex-presidente da Comissão de Desportos das Forças Armadas,
e da velejadora Ingrid Grael — cujos irmãos Axel e Erik Schmidt foram
os primeiros campeões mundiais de vela, em 1961.
A família também
tem participação na política. Axel Grael, irmão de Torben e Lars, é
prefeito de Niterói pelo PDT. A cidade abriga desde 1998 o Projeto
Grael, que busca conciliar iatismo e inclusão social. Lars também ocupou
cargos no governo FHC e no governo Alckmin.
Martine e Torben se
tornaram a primeira dupla de pai e filha bicampeã olímpica como atletas,
um desempenho excepcional na história do país em Jogos — de cada dez
medalhas de ouro do Brasil, uma veio dos Grael.
Esporte caro e de nicho
A
vela está longe de ser um dos esportes favoritos dos brasileiros, ou de
qualquer outro torcedor no mundo. Considerado de elite e caro — um
curso introdutório, com quatro aulas, custa a partir de R$ 500; um barco
a vela dificilmente sai por menos de R$ 15 mil — a vela é um esporte de
nicho praticado e acompanhado apenas em clubes especializados, com
pouca transmissão na televisão ou cobertura pela imprensa esportiva.
No
Brasil, a vela começou a ganhar espaço em 1906, com a fundação do Yacht
Clube Brasileiro no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, que pouco
depois se mudaria para Niterói. A primeira prova nacional foi disputada
em 1935.
O Brasil levou 13 velejadores a Tóquio 2021 (seis mulheres e sete homens) — equipe chefiada pelo pai de Martine, Torben.
A
vela é um dos esportes olímpicos mais tradicionais da era moderna —
esteve presente em todas as edições dos Jogos, com exceção da primeira
Olimpíada, de 1896.
A competição em Tóquio tem seis classes: Laser, RS: X (windsurfe), 470, 49er, Finn (só para homens) e Nacra 17.
Duas
classes fazem sua segunda aparição no programa olímpico. O 49er FX
Skiff para mulheres (vencido por Martine e Kunze) e o Nacra 17 fizeram
sua estreia no Rio 2016.
A vela exige rapidez de raciocínio, agilidade, força física e capacidade de elaboração de estratégia dos atletas.
Cada
competição é formada por uma série de corridas. Os pontos em cada
corrida são atribuídos de acordo com a posição: o vencedor ganha um
ponto, o segundo colocado ganha dois e assim por diante. A corrida final
é chamada de Medal Race (corrida de medalhas), na qual os pontos são
duplicados. Após a corrida pela medalha, o indivíduo ou equipe com o
menor número total de pontos é o campeão.
Durante as corridas, os
barcos navegam em um percurso em forma de um enorme triângulo, rumo à
linha de chegada após enfrentarem o vento em três direções. Eles devem
passar por boias de marcação um certo número de vezes e em uma ordem
pré-estabelecida.
O iatismo não é apenas uma corrida contra outros
barcos, mas uma batalha com a natureza: a altura das ondas, a força das
marés, a força do vento e outros fatores climáticos.
Não é
possível velejar em linha reta em todo o percurso. Ao navegar com vento
contrário, os barcos tentam "pegar" o vento movendo-se em zigue-zague.
Avançar no percurso requer mudanças ousadas de direção e curvas
apertadas, com as tripulações controlando suas embarcações mudando a
posição e a orientação de seus corpos no barco.
Confira abaixo as 19 medalhas conquistadas pela vela brasileira em Olimpíadas.
Rosa
contava com a ajuda do filho mais velho para levar Rebeca de bicicleta
ou a pé para os treinos, quando não tinha dinheiro para a condução.
"Quando
eles viram que ela tinha esse talento, eles [os irmãos de Rebeca] se
dedicaram. Quando ela achava que era hora de parar porque não tinha
dinheiro para condução, o irmão falava: 'eu levo ela a pé'. A distância
era de duas horas caminhando", disse Rosa em entrevista à Rádio
Bandeirantes logo após o pódio da filha.
Rebeca
começou a se destacar desde cedo e teve Daiane do Santos como
inspiração. Ela chegou a conhecer pessoalmente a estrela da ginástica
brasileira ainda em 2009, conforme vídeo gravado pela Prefeitura
Municipal de Guarulhos, que ganhou as redes sociais nesta quinta-feira.
"Às
vezes eu não estava conseguindo fazer alguma coisa e elas estavam me
ensinando", diz na reportagem uma pequena Rebeca, provavelmente aos 10
anos, após conhecer Daiane e Laís Souza, que treinaram em Guarulhos
naquele ano devido a uma reforma no Clube Pinheiros.
Ao
lado de Rebeca no começo da carreira, dona Rosa também estava lá quando
a intensa rotina de treinos levou a atleta a sofrer lesões. Rebeca teve
de operar o joelho três vezes entre 2015 e 2019 e, em uma dessas
cirurgias, pensou em desistir.
"Eu
falava: 'Você não pode desistir sem tentar. Só acabou para você depois
que você se recuperar e treinar. Vai conhecer seu corpo novamente'",
contou Rosa no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo.
Crédito, Reprodução/Instagram
Legenda da foto,
Nas redes sociais, Rebeca define a mãe como "a melhor do mundo"
A
saúde mental dos atletas de alto desempenho está em debate, após a
ginasta americana Simone Biles desistir da final olímpica por equipes e a
tenista japonesa Naomi Osaka se retirar do Aberto da França.
Rosa considera que atuava como uma "psicóloga", quando Rebeca passava por momentos difíceis.
"Sempre
incentivei meus filhos a por os problemas para fora. A expor o que
sentiam. E com a Rebeca não foi diferente", disse ao UOL.
"Eu
argumentava com ela: a cobrança faz parte dos treinos. É como se o
Chico [o treinador de Rebeca] fosse um professor que cobra seus alunos. E
ela se tranquilizava, porque fora dos ginásios, o Chico representava a
figura do pai que ela não teve em seu dia-a-dia."
Crédito, Reuters - Rebeca Andrade foi prata no individual geral em Tóquio 2021
O Brasil inteiro vibrou com o triunfo de Rebeca ao som de Baile de Favela, mas, para dona Rosa, a vitória teve um gosto ainda mais especial.
"Estou
muito orgulhosa, feliz demais. Durante a competição não consegui pensar
em nada, mas quando veio a medalha passou um filme. Eu me lembrei da
Rebeca aos 3 anos dando estrelinha sem mão. Vieram à mente também os
obstáculos que tivemos que enfrentar e que conseguimos", disse a Fátima
Bernardes nesta quinta-feira.
"Ainda bem que ela seguiu os meus conselhos e trouxe a medalha. É uma prata com sabor de ouro."